sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Please, don't stop the rain.



Hoje, voltando pra casa, comecei a reparar no céu. As nuvens começaram a se mover rápido demais, transformando a imensidão azul numa incrível confusão de nuvens cinzas.

Por mais estranho que isso possa parecer, é meu tipo preferido de céu. As melhores cores se mostram na paisagem que se forma antes da tempestade.

Adoro a bagunça que as nuvens fazem, como crianças que há tempos não viam o céu azul e tivessem uma única oportunidade de brincar do lado de fora.

Gosto do modo como as nuvens se desmancham
aos poucos quando a chuva finalmente cai. Como a imensidão cinza se transforma na cortina branca, ocultando a molecagem das crianças lá em cima.

As cores vão sumindo aos poucos, se confundindo, se misturando, até virarem uma mescla líquida de beleza e destruição. Uma cor só. Céu indecifrável. Misterioso.

As cortinas escondem completamente o horizonte e me fazem pensar no doloroso processo de desmanche que essas crianças sofrem. Uma a uma, são intimadas a voltarem para casa, depois de alguns minutos de céu azul do lado de fora.


Todas as cores se confundem, e a desordem é geral depois da brincadeira. A sensação de acompanhar essa algazarra é a melhor do mundo. Mera espectadora, é algo capaz de me fazer parar no meio da rua e admirar o espetáculo.

E sempre sobra uma criança escondida do lado de fora, a única esperta o suficiente pra enganar os cuidadores do céu azul. E é ela, a criança sapeca, que organiza a próxima brincadeira do lado de fora. E eu, na platéia, continuo contemplando o show de nuvens no céu.



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