
Às vezes penso que esperar cansa. Outras, que não compensa. Outras ainda que cansa, mas compensa. Das três, uma. Duas chances de ver o filme, apenas uma de participar dele. Ultimamente, percebo que a mim tem sido dado um longo período de férias na minha já frustrada carreira de atriz-principal-de-filme-romântico. É bom, mas cansa. Assim como esperar.
A história nunca começa. Se começa, pausa ou trava. E se não trava, acaba logo. Nem dá tempo de acabar com a Coca.
Pessimismo.
Trauma de fim-de-sonho-mal-idealizado.
(...)
A garotinha já crescida, pensando em escrever e querendo desabafar, contar a verdade, bater em alguém e matar um dragão, talvez. As cordas vocais davam nó na garganta, assim como veias, artérias, pulmão e nervos no corpo todo. Sendo assim, não podia falar, não conseguia sentir e mal dava pra respirar direito. O silêncio, o barulho, a multidão, o vazio e a vida: tudo lhe sufocava. Sim, era boba. Precisava escrever para dizer o que sentia. Usava o máximo que sua super capacidade de se expressar lhe permitia: a palavra escrita. Sim, era louca, e apelava a todos os seres inanimados à sua volta que lhe devolvessem a vida.
Por que as nuvens não caem se tudo cai? É que a força da gravidade é menor que a força que as levanta. Inteligente, não é? Mas caem em forma de chuva. Essa é a minha vingança. (Clarice Lispector)Hoje me ataquei a escrever. Se toda escrita tem um motivo, essa é porque descobri que, às vezes, o silêncio dói menos do que a verdade. Essa sim, é golpe certeiro, morte certa, indolor e imperceptível. A mim. Não gosto do silêncio, mas todos precisamos dele. É necessário ouvi-lo de vez em quando.
Fatos são pedras duras, de fatos não há como fugir. O coração tem várias versões de verdade. É preciso escolher a que melhor compensa (e, às vezes, é necessário escolher a errada para perceber qual era a certa).
A garganta está seca. Mas aguardo a hora da proteção.
A hora da estrela. Em que colocarei o que sinto para fora, receberei um abraço e ouvirei que tudo ficará bem, e meu para sempre não será jamais interrompido. Enquanto isso,
é tempo de morangos.Ruby.
(texto escrito em 2007; Clarice Lispector)