domingo, 31 de outubro de 2010

Como se tudo tivesse acontecido. ²

"As coisas já não eram mais as mesmas pra ela.

Era um jogo de criança, uma brincadeira tosca que perdia logo a graça.

Talvez o mundo estivesse mudando. Ou era ela, e nem percebia.

Deus, ela pensava. Seria bom se as coisas não mudassem? Se o relógio parasse, o entregador de jornais não mais passasse em casa, o sol não mais dormisse. Se tudo fosse como deve ser. Sem mudanças. Sem pensamentos. Sem reflexões.

Seria bom, ela concluiu. Não teria sentido, nem surpresas, nem crescimento no fim de mais um dia. Mas seria bom. Ela saberia lidar com tudo isso do mesmo jeito, provavelmente. Sempre.

Talvez num conto de fadas desse certo, na fairytale em que ela vivia quase constantemente. O medo de acordar e perceber que tudo tinha mudado. O que seria quando a lua chegasse? Como ela podia se preparar pro que não conhecia?

Aí estava o problema e a solução: não podia.

E talvez aí estivesse a graça desse jogo todo. Não saber o movimento do adversário e confiar nas cartas que tem em mãos. Isso seria suficiente. Isso seria suficiente? Só Deus sabia.

Deus, ela pedia. Duas vezes."

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

- Saukerl

- riu a menina, e, ao levantar a mão, soube perfeitamente que, ao mesmo tempo, ele a chamava de Saumensch. Acho que isso é o máximo que as crianças de onze anos podem se aproximar do amor.

A Menina Que Roubava Livros.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Como se tudo tivesse acontecido.

É um alívio não pensar. Há quem pense o contrário. Garanto: é verdade. Como já me aconselhou um grande amigo, pense duas vezes antes de pensar.

Nesse fim de semana eu aprendi a deixar de lado as little things que geralmente me deixam mal, e aproveitar as little things que fazem meu dia valer a pena - por mais idiotas que pareçam. Sério, vale a pena não pensar e simplesmente deixar as coisas rolarem.

Como ser convidada pra ser madrinha de um casamento. Ou inventar um novo cumprimento com seu irmão mais novo. Ou descobrir mais uma coisa em comum com um amigo. Ouvir aquela música nova do seu artista favorito, justo quando você estava pensando nela... Descobrir que o livro que você queria comprar está em promoção. Ouvir uma piada muito sem graça do seu pai, e morrer de dar risada mesmo assim. Ouvir seu avô perguntando onde está seu ex-namorado, e não se sentir mal com isso. Reler seu livro favorito e conseguir fazer seu amigo matemático lê-lo também. Ou ver seu amigo matemático comprando o seu livro favorito numa livraria - que é, por coincidência, o mesmo amigo que tem tudo em comum com você. Ouvir alguém dizer que sentiu tanto sua falta que até sonhou com você à noite. Perceber que aquele amigo por quem você tem uma quedinha morre de ciúmes de você.

São pequenas coisas como essas que me fazem perceber que ninguém é feliz pra sempre.

E daí se eu vou cair muitas vezes durante o caminho? Pouco me importa. Porque agora eu sei que sou capaz de levantar, pronta pra cair de novo, se for preciso.

Sem pensar.

Ruby.