quinta-feira, 18 de novembro de 2010

No doubt,

"... endings are hard.
But than, again, nothing ever really ends,
does it?"


Supernatural

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Scusa se ti amo.

E para aqueles que juraram que era impossível se apaixonar de novo, eu provei o contrário.
Não fosse a distância, angústia de quem ama.

But I wonder why we bother with love if it never lasts.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

No Memories, No Life.


Max, esse era o seu nome e definitivamente não estava esperando nada de bom naquele dia que começara. Como já sabia que iria acontecer, grossas palavras seriam atacadas sobre ele, muitas vezes palavras que machucariam mais que pedras. Acostumar não acostuma, acredito que ninguém se acostuma a sofrer, apenas suporta. E era isso que Max fazia todos os dias, apenas suportava a indiferença dos seres humanos quando passavam por ele. Resmungando algumas palavras pra si mesmo, fazia com que as pessoas o considerassem louco, mas talvez ele não fosse, talvez. A claridade e o barulho da avenida fez com que ele abrisse os olhos pesados de sono e começasse a acordar aos poucos naquele chão gélido. O sol estava tímido, tentara por muitas vezes aparecer deslumbrante naquele céu de setembro, porém acabara voltando para trás das nuvens cinzentas, fazendo com que o reflexo nelas machucassem os olhos de quem acabara de acordar. Ele resolvera levantar-se daquele papelão rasgado, - somente deitava naquele chão sujo, gelado e duro para dormir porque não tinha outra alternativa - aos poucos colocava-se de pé, tinha o joelho ralado e os pés sujos, as mãos calejadas e amareladas por conta do cigarro, mas se prestassemos atenção veríamos que através dos olhos daquele rapaz transparecia a tristeza, a dor, o abandono, e a fome. Ah, a fome! Algo horrível de sentir, porém, a fome do rapaz não era apenas de alimento, era fome de carinho, amor, proteção, algo com o que ele convive e sente muita falta. Estando de pé, começara a juntar suas tralhas e amarra-las em um pano velho desbotado, que um dia já fora vermelho mas que agora está marrom.

Já era no período da tarde quando a fome apertara de verdade e o estômago começava a revirar seu próprio vazio. Resolveu parar em um calçada e descansar os pés descalços que já estavam mais calejados. Max pedia a alguns vultos que passavam, um pouco de caridade e desse à ele o que comer, por mais que não pareça, penso que é tão humilhante para eles tanto quanto para nós ficar pedindo esmolas na rua, e ouvindo como resposta um "Vá a merda", "Não tenho", "Vai trabalhar", e isso era uma das coisas que mais acontecia, entretanto, existem ainda algumas almas caridosas que se comovem e entregam-lhe algo. Algumas horas depois, já com o estômago revirado e dores de cabeça causada pela fome, ele resolveu contar o dinheiro que havia conseguido e alegrou-se ao ver que naquele dia ele tinha conseguido um pouco mais que no outro. Resolveu ir comprar algo para comer.

Naquele caminho tortuoso que ele trilhava, percebia olhares sinuosos em sua direção, olhares de pessoas que sentiam repugnância ao vê-lo todo sujo, com barba pra fazer, e cabelos sebosos jogados na cara, contudo, já suportara isso e não se importava muito, mas ainda assim sentia-se um pouco incomodado com aquela situação. Você provavelmente já deve ter se perguntado como ele foi parar na rua e ficado nessa situação, por enquanto eu posso lhe dizer que essa é uma pergunta sem resposta, afinal, nem Max sabe como e porque ele está vivendo nessas condições, ele não tem lembrança, não tem um sentimento certo, ele é um homem sem memória.


Rodrigo C.

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Obrigada por me deixar postar seu texto, Rodrigo!
Ficou absolutamente incrível! Mesmo! *-*

domingo, 7 de novembro de 2010

- Que tal um beijo, Saumensch?

Ficou parado mais alguns instantes, com água pela cintura, antes de sair do rio e lhe entregar o livro. Tinha as calças grudadas no corpo e não parou de andar. Na verdade, acho que ele sentiu medo. Rudy Steiner ficou com medo do beijo da menina que roubava livros. Devia ter ansiado muito por ele. Devia amá-la com uma intensidade incrível. Tanto que nunca mais tornaria a lhe pedir seus lábios, e iria para sua sepultura sem eles.


A Menina Que Roubava Livros.

sábado, 6 de novembro de 2010

Num mundo qualquer.

Tenho me cansado muito fácil de ilusões - diferentemente do que eu costumava sentir antes. Não me satisfazem como antigamente.

Fatos concretos têm me chamado mais atenção. Pois de fatos não há como fugir.

Eu nunca precisei de provas concretas. A imaginação sustentava meu narcisismo. Agora não é suficiente.

Preciso de contato. De vozes, de pele. De fatos.

Preciso de pensamentos, de Id ao ar livre, de esquizofrenia.

Preciso de silêncio pra me ouvir. Pra me entender.

Só isso.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Please, don't stop the rain.



Hoje, voltando pra casa, comecei a reparar no céu. As nuvens começaram a se mover rápido demais, transformando a imensidão azul numa incrível confusão de nuvens cinzas.

Por mais estranho que isso possa parecer, é meu tipo preferido de céu. As melhores cores se mostram na paisagem que se forma antes da tempestade.

Adoro a bagunça que as nuvens fazem, como crianças que há tempos não viam o céu azul e tivessem uma única oportunidade de brincar do lado de fora.

Gosto do modo como as nuvens se desmancham
aos poucos quando a chuva finalmente cai. Como a imensidão cinza se transforma na cortina branca, ocultando a molecagem das crianças lá em cima.

As cores vão sumindo aos poucos, se confundindo, se misturando, até virarem uma mescla líquida de beleza e destruição. Uma cor só. Céu indecifrável. Misterioso.

As cortinas escondem completamente o horizonte e me fazem pensar no doloroso processo de desmanche que essas crianças sofrem. Uma a uma, são intimadas a voltarem para casa, depois de alguns minutos de céu azul do lado de fora.


Todas as cores se confundem, e a desordem é geral depois da brincadeira. A sensação de acompanhar essa algazarra é a melhor do mundo. Mera espectadora, é algo capaz de me fazer parar no meio da rua e admirar o espetáculo.

E sempre sobra uma criança escondida do lado de fora, a única esperta o suficiente pra enganar os cuidadores do céu azul. E é ela, a criança sapeca, que organiza a próxima brincadeira do lado de fora. E eu, na platéia, continuo contemplando o show de nuvens no céu.