sábado, 4 de setembro de 2010

Pensamentos - Caneta e Papel.


Às vezes penso que esperar cansa. Outras, que não compensa. Outras ainda que cansa, mas compensa. Das três, uma. Duas chances de ver o filme, apenas uma de participar dele. Ultimamente, percebo que a mim tem sido dado um longo período de férias na minha já frustrada carreira de atriz-principal-de-filme-romântico. É bom, mas cansa. Assim como esperar.

A história nunca começa. Se começa, pausa ou trava. E se não trava, acaba logo. Nem dá tempo de acabar com a Coca.
Pessimismo.
Trauma de fim-de-sonho-mal-idealizado.

(...)

A garotinha já crescida, pensando em escrever e querendo desabafar, contar a verdade, bater em alguém e matar um dragão, talvez. As cordas vocais davam nó na garganta, assim como veias, artérias, pulmão e nervos no corpo todo. Sendo assim, não podia falar, não conseguia sentir e mal dava pra respirar direito. O silêncio, o barulho, a multidão, o vazio e a vida: tudo lhe sufocava. Sim, era boba. Precisava escrever para dizer o que sentia. Usava o máximo que sua super capacidade de se expressar lhe permitia: a palavra escrita. Sim, era louca, e apelava a todos os seres inanimados à sua volta que lhe devolvessem a vida.

Por que as nuvens não caem se tudo cai? É que a força da gravidade é menor que a força que as levanta. Inteligente, não é? Mas caem em forma de chuva. Essa é a minha vingança. (Clarice Lispector)

Hoje me ataquei a escrever. Se toda escrita tem um motivo, essa é porque descobri que, às vezes, o silêncio dói menos do que a verdade. Essa sim, é golpe certeiro, morte certa, indolor e imperceptível. A mim. Não gosto do silêncio, mas todos precisamos dele. É necessário ouvi-lo de vez em quando.

Fatos são pedras duras, de fatos não há como fugir. O coração tem várias versões de verdade. É preciso escolher a que melhor compensa (e, às vezes, é necessário escolher a errada para perceber qual era a certa).

A garganta está seca. Mas aguardo a hora da proteção. A hora da estrela. Em que colocarei o que sinto para fora, receberei um abraço e ouvirei que tudo ficará bem, e meu para sempre não será jamais interrompido. Enquanto isso, é tempo de morangos.

Ruby.
(texto escrito em 2007; Clarice Lispector)

2 comentários:

  1. Vocês que estão aqui e que fazem parte de mim,
    que fazem eu pensar que sou mais do que apenas alguém,
    que nunca me deixam pensar em ninguém, que vivem em meu coração,
    mesmo quando vocês sabem que todos não cabem,
    que me fortalecem quando eu preciso de amor,
    que me fazem sentir dor pra eu ao menos sentir,
    que me fazem até pular do céu direto pro chão,
    achando que eu tinha asas em algum lugar aqui,
    que me fazem saber o que é medo de não estar ao vosso lado,
    que me fazem fraco pra eu poder querer ficar mais forte,
    que sabem meus defeitos e meus erros de cor,
    mas que só apontam pra eu saber onde eu devo jogá-los
    que me fazem refletir sobre o valor dos meus braços,
    por meus amigos eu daria o esquerdo e o direito,
    por que quando eles me fazem me envolver num abraço,
    eu começo a ter noção do que significa "perfeito",
    e hoje se eu sou esse sujeito sem nome nem rumo na estrada,
    é por que eu tenho amigos que me fazem esquecer,
    quem tem amigos como eu não precisa de mais nada,
    nem saber andar, por que a felicidade é que vai te mover...

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  2. Escreve um "Meia Dúzia de Esparta" aí pra nóis Ruhh!

    By Neison

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